O telefone de Ricardo vibrava incessantemente. Peixes e frutos do mar.
Ele olhou para a tela, irritado.
Mas, no instante seguinte, congelou.
“Por que é o departamento de contabilidade?”
Ele se afastou alguns passos da música e atendeu.
“Sim?” Calculadoras e ferramentas de referência.
Seu sorriso confiante desapareceu instantaneamente.
“O quê?”
O gerente do restaurante falou calmamente do outro lado da linha.
“Sr. Berger, há uma pasta lacrada aqui para o senhor. Sua esposa pediu especificamente que ela não fosse entregue até que ela saísse.”
Ricardo engoliu em seco.
“O que isso significa?”
“O senhor deveria ter vindo buscá-la pessoalmente.” Dicionários e enciclopédias.
Ele desligou.
Sua mãe se aproximou.
“O que houve?”
“Nada.”
Mas sua voz de repente soou trêmula.
Juntos, eles foram até o caixa.
O gerente do restaurante lhe entregou a pasta preta. Na parte externa, havia uma única frase.
“Para o homem que achava que sua esposa não tinha conquistado nada.”
Dona Refugio bufou.
“Abra. Provavelmente é algum drama de novo.”
Ricardo abriu a pasta.
No topo, havia um extrato bancário.
Não o dele.
De Mariana.
Ele franziu a testa.
Abaixo, registros comerciais.
Documentos fiscais.
Contratos de fornecimento.
Fotos de uma grande cozinha industrial.
E, finalmente, uma carta de um tabelião.
“O quê…?”
A gerente do restaurante pigarreou.
“Sua esposa nos contratou há duas semanas como o novo fornecedor para todos os eventos da empresa.”
Ricardo a encarou.
“O restaurante agora está trabalhando com a Mariana?”
“Não só este.”
Ela sorriu educadamente.
“Há também outras quatro unidades.”
Dona Refugio riu sarcasticamente.
“E daí? Um pouco de culinária.”
O gerente do restaurante puxou calmamente outra folha de papel. Astronomia.
“O contrato anual vale vários milhões de euros.”
Pela primeira vez, ninguém disse nada.
A música continuou a tocar.
Mas havia um silêncio absoluto à mesa da família.
Ricardo folheou as páginas freneticamente.
Então um documento caiu.
O pedido de divórcio.
Já assinado. Anatomia.
E um pedido de guarda exclusiva das crianças.
Suas mãos começaram a tremer.
“Ela… ela quer o divórcio?”
“Ela entregou todos os documentos ao tribunal ontem.”
Dona Refugio empalideceu.
“Ela não vai levar isso adiante.”
“Vai sim.”
Uma voz calma falou atrás deles.
Mariana havia retornado.
Ela segurava as duas filhas pelas mãos.
Camila agora vestia um vestido limpo. Gravidez e Maternidade
Sófia olhou diretamente para a avó.
Sem medo.
Mariana parou em frente à mesa.
“Durante cinco anos, você acreditou que eu estava vivendo às suas custas.”
Ela olhou para Ricardo.
“Mas era você quem se beneficiava do meu trabalho.”
Ricardo balançou a cabeça.
“Isso não é verdade.”
Mariana tirou um pequeno pen drive da bolsa.
“Aqui estão todas as transferências da minha empresa para a sua conta.”
Ele empalideceu. Dicionários e Enciclopédias
“Você alegava todo mês que me sustentava.”
Ela assentiu.
“Na verdade, eu pagava as nossas contas.”
Dona Refugio deu um passo para trás.
“Isso é mentira.”
“Então explique aos convidados por que seu filho nunca pagou uma única conta de restaurante.”
Vários parentes olharam para Ricardo surpresos.
Dom Ernesto baixou a cabeça lentamente.
Pela primeira vez, ele também permaneceu em silêncio.
Mariana ajoelhou-se ao lado das filhas.
“Venham.”
Sófia sussurrou:
“Vamos comer camarão agora?”
Mariana sorriu.
“Hoje vocês podem comer o que quiserem.”
A gerente do restaurante assentiu imediatamente.
Alguns minutos depois, ela colocou três pratos grandes de camarão na frente de Mariana e das meninas.
Ninguém ousou tirá-los de lá novamente.
Dona Refugio olhou fixamente para o chão.
Ricardo permaneceu imóvel.
Ele acreditava que dinheiro significava poder.
Mas naquela noite ele entendeu que respeito não podia ser comprado.
Mariana pegou as mãos das filhas.
“Lembrem-se de uma coisa.”
Ela olhou para as duas com carinho.
“O valor de uma pessoa nunca depende de ser menino ou menina.”
Juntas, elas saíram do restaurante.
O que restou foi uma família que não havia sido destruída pelos camarões.
Mas sim pela sua própria arrogância.
