Mateo chegou à outrora luxuosa, mas agora decadente, Fazenda El Sol, no coração de Jalisco, vestindo uma camisa encharcada de suor e carregando uma mochila surrada. Ele tinha uma filha de 7 anos para cuidar e, após três meses de desemprego brutal, estava desesperado por qualquer trabalho. O sol mexicano castigava impiedosamente a terra ressequida e os intermináveis campos de agave azul que cercavam a propriedade. Mas o verdadeiro inferno se desenrolava no pátio de paralelepípedos.
Valéria, a herdeira de 24 anos, soluçava enquanto seu tio materno, Ramón, gritava palavras venenosas para ela.
“O Império está morrendo, Valéria! Encare a realidade. Aquele cavalo Azteca, a obsessão e o legado do seu falecido pai, não vale mais um centavo. Assine o contrato de venda com os investidores americanos, mande sacrificar o animal agora mesmo e acabe com esse drama familiar ridículo!”, exigiu Ramón, sacudindo os papéis diante do rosto banhado em lágrimas.
Ao lado dele, um veterinário de terno elegante preparava uma injeção com um líquido esverdeado e mortal, com um sorriso cínico.
Mateo, outrora um renomado cirurgião veterinário, mas cuja vida o arrastara para um turbilhão de dívidas e azar, ouviu o relincho fraco e abafado do cavalo vindo do estábulo. Seu ouvido experiente reconheceu imediatamente: não era o som de uma doença incurável… mas de um envenenamento lento.
Ignorou os guardas e correu para o fundo da baia. Império, o outrora lendário campeão, jazia na palha, as mucosas pálidas, coberto de suor frio, tremendo. Mal respirava.
“O que você está fazendo aqui, seu vagabundo imundo?!” Ramón rugiu.
“Trabalhe”, respondeu Mateo calmamente. “Mas se você der essa injeção nele, estará cometendo um crime. Ele não tem infecção… ele está gravemente anêmico e em choque.”
O VETERINÁRIO RIU DE FORMA MORÍSTICA.
“Dê a ele duas horas”, implorou Mateo a Valeria. “Se eu fizer uma transfusão de sangue agora e der a ele o tratamento correto, ele pode ser salvo.”
A tensão aumentou. Ramón o agarrou, mas Mateo o empurrou, arrancando a seringa da mão do médico. O canudo bateu.
“Se alguém tocar neste cavalo, ele não sairá daqui andando sozinho”, disse Mateo, e apontou a injeção letal para o peito de Ramón.
O que aconteceu em seguida… foi incompreensível.
Ramón cambaleou para trás.
“Você tem 24 horas, Valeria!” Ele cuspiu. – Se o cavalo não morrer até amanhã, vou declará-lo inapto para o trabalho!
Valéria olhou nos olhos de Mateo, tremendo.
– ME SALVE… ELE É A MINHA ÚLTIMA LEMBRANÇA DA MINHA FAMÍLIA.
Mateo agiu imediatamente. Improvisou uma transfusão de sangue e deu-lhe remédio. A noite caiu fria sobre eles.
Horas se passaram.
Às 4 da manhã, Imperio relinchou baixinho… e se moveu.
Valéria desabou nos braços de Mateo, chorando.
Ao amanhecer, o cavalo já estava de pé.
Mateo conseguiu um emprego e sua filha foi morar com ele.
Meses se passaram. Imperio ficou mais forte do que nunca. Um amor silencioso nasceu entre Mateo e Valéria.
ENTÃO, UM DIA, MATEO DESCOBRIU A VERDADE.
O cavalo não estava doente.
Ele estava envenenado.
Ramón.
As evidências eram claras.
O plano de vingança estava Nasceu.
No dia do Grande Campeonato Charro, Imperio voltou… e venceu.
Ramón desmaiou.
MATEO SE DESPEDIU DA POLÍCIA.
O tio foi levado algemado.
Valéria e Mateo se beijaram em frente à multidão.
8 meses depois…
Uma nova vida começou.
Um potrinho nasceu ao lado de Imperio.
E Mateo percebeu… que não havia salvado apenas um cavalo.
Mas uma família inteira.
