A risada de Ricardo Mendoza ecoou pelas paredes de mogno do exclusivo Club de Industriales em Polanco — um som agudo e zombeteiro que cortou o ar a tal ponto que Diego Castillo cerrou os punhos sob a mesa até os nós dos dedos ficarem brancos. O ambiente estava impregnado com o aroma intenso de charutos caros e conhaque envelhecido — o aroma quase palpável de poder e privilégio.
“Você está falando sério, irmão?” Ricardo enxugou os olhos, com lágrimas brotando de tanto rir. “Você vai levar sua secretária para o baile da empresa? O que vem depois? Vai levar o concierge para jogar golfe?”
Os outros três homens à mesa — amigos de infância de Diego — caíram na gargalhada. Eram elegantemente vestidos, herdeiros privilegiados que nunca construíram suas próprias fortunas, mas julgavam os outros.
“Não é uma secretária.” “É assistente executivo”, disse Diego, tentando manter a compostura. “E ele entende da empresa melhor do que qualquer um de vocês.”
“Vamos lá”, Fernando acenou com a mão. “Sabemos de onde esses caras vêm. Algum bairro esquecido no sul. Imagine, Diego — você entra com ele e todo mundo vai rir de você. Você vai ser a piada do ano.”
O peito de Diego apertou. Não era só sobre ele — era sobre o desprezo de Sofia.
“Sabe de uma coisa? Você tem razão em uma coisa. Ele não pertence a este lugar. Ele é elegante demais para você. Eu o levo… e você vai ver.”
Ele não olhou para trás.
…
No escritório, Sofia falava ao telefone em japonês.
Diego ficou chocado.
“O problema com os convidados de Cancún está resolvido”, disse ela calmamente.
Foi aí que Diego realmente a viu.
“Venha ao baile comigo… como acompanhante.”
Sofia hesitou.
— Este não é o meu mundo…
— MAS SIM — respondeu Diego.
Finalmente, ele concordou.
Com uma condição:
Ela continuaria sendo ela mesma.
No dia seguinte, Diego descobriu a verdade: Sofia era formada, uma excelente profissional — ela só precisava esconder isso para conseguir um emprego.
Diego a admirava.
E sentia-se cada vez mais atraído por ela.
Na noite do baile, tudo mudou.
QUANDO SOFIA CHEGOU…
o salão ficou em silêncio.
Ela não era apenas bonita.
Ela irradiava dignidade.
Quando salvou um negócio multimilionário no Japão, todos a olharam com respeito.
— Se você não está apaixonado por ela, você é um tolo — disse o pai de Diego.
E Diego percebeu.
Apaixonado.
ELE LEVOU SOFIA PARA O TERRAÇO.
Ele quase a beijou.
Mas Ricardo o impediu.
— É só um ilusão. Amanhã será a mesma coisa. Ele é um empregado. Você é uma Castillo.
Diego hesitou.
E com isso, perdeu tudo.
Quando voltou, ficou frio.
Evitou Sofia.
A MULHER ENTENDEU.
— Vou para casa.
E ela foi embora.
Em casa, disse, chorando:
— Serei sempre a assistente deles.
As semanas seguintes foram congelantes.
Diego tentou.
Sofia a rejeitou.
ENTÃO VEIO A DEMISSÃO.
— Vou me mudar para Guadalajara.
— Fique, eu dobro seu salário.
— Não estou indo pelo dinheiro. Mas porque não consigo ficar com um homem que teve medo de amar.
E ela foi embora.
Meses se passaram.
Diego sentia que sua vida estava vazia.
Seu pai finalmente lhe contou sua história — que havia escolhido o amor em vez do status.
DIEGO, ACORDE.
Ele foi buscar Sofia.
Quando a viu novamente…
era diferente.
Mais forte.
E talvez fosse tarde demais.
“Eu te amo”, disse Diego. “E eu abriria mão de tudo por você.”
Ele se ajoelhou.
“ME ENSINE A SER CORAJOSO.”
Sofia sorriu em meio às lágrimas.
“Levante-se.”
E ele a beijou.
Seis meses depois, eles se casaram.
Não em um casamento luxuoso.
Mas em um casamento feliz.
Ricos e plebeus celebraram juntos.
SOFIA CONTINUOU SENDO ELA MESMA.
E ela brilhou.
“Você se arrepende de alguma coisa?”, ele perguntou.
“Sim”, disse Diego. “De não ter te convidado para dançar no primeiro encontro.”
E todos sabiam:
O verdadeiro valor não está no dinheiro.
Mas na coragem de amar.
